24 agosto 2009

Benfica 09/10: a época que promete...

... sofrimento.

Vou começar esta minha análise com uma declaração de interesses, não gosto do Jorge Jesus, não é o tipo de treinador que goste de ver à frente do Benfica e não ache que seja assim tão bom treinador, a comparação com Mourinho é completamente absurda, do meu ponto de vista.

Posto isto quero dizer que fiquei muito impressionado com a pré-época e que, como qualquer benfiquista achei que, de facto, as melhorias de atitude face ao ano anterior eram mais que muitas. Mas como quando não tenho uma boa imagem de alguém preciso de muito tempo até mudar de opinião, refreei os meus ânimos de vir para aqui dizer bem do Jesus e esperei pelos primeiro jogos oficiais. Infelizmente tinha razão e os desapontamentos começaram. A equipa joga muito melhor do que na época anterior mas não corresponde minimamente às expectativas criadas. Onde está a equipa que pressiona o portador da bola logo à saída da área? Onde está a equipa que joga ao primeiro/segundo toque e que se movimenta em bloco para dar linhas de passe ao portador da bola? Onde está o Losango com os laterais muito ofensivos e que criam desequilíbrios? A minha esperança é de que isto seja apenas o resultado do esforço físico do início e que daqui a uns jogos a forma física volte e tudo isto volte à forma inicial.

Depois destes 3 jogos oficiais vou então fazer os meus comentários mais em concreto sobre os jogos e sobre o plantel nos próximos posts.

17 agosto 2009

Cartão Azul

O título desta "crónica" esteve para ser "O respeitinho é muito bonito". Mas no final do jogo de ontem, depois do empate arrancado a ferros pelo reforço (que é reforço) Weldon, o sentimento que se destacou entre as hostes benfiquistas foi mesmo o de raiva contra o anti-jogo praticado pela formação madeirense.

Apesar de não ser bonito, não se pode recriminar um treinador de uma equipa como o Marítimo, que reconhece a superioridade do Benfica, e que por isso adopta uma táctica hiper-defensiva, apostando apenas na velocidade de 1 ou 2 homens para tentar chegar perto da baliza encarnada.

E como o "respeitinho é muito bonito", foi bonito ontem ver que, ao contrário da época passada, os madeirenses entraram em campo com "medo" do Benfica. Não pretenderam assumir o jogo, porque sabiam não ter argumentos para o fazer, nem sequer para o discutir de igual para igual em determinados períodos.

Em muitas ocasiões, nas últimas épocas, os adeptos do Benfica tiveram que assistir em pleno Estádio da Luz, a equipas atrevidas que pegavam no jogo e manietavam os encarnados (por vezes poderia mesmo haver dúvidas sobre quem estaria a jogar em casa, sobre qual seria afinal, em teoria, a equipa eterna candidata ao título nacional). Essa passividade encarnada desapareceu, e ontem, mesmo durante a primeira parte, na qual o Benfica teve mais dificuldades em jogar, as estatísticas não mentem... a única equipa que procurou o golo foi a encarnada, uma posse de bola esmagadora (cerca de 75%) e, apesar da exibição mais pálida, pelo menos duas oportunidades claras de golo (remate à barra de Aimar na sequência de um livre e remate cruzado da esquerda de Di Maria a obrigar a uma das inúmeras boas defesas do guardião maritimista).

Ontem não, o Marítimo não foi audaz, nem tinha que o ser... Limitou-se a cerrar fileiras e a defender com 11, em 40 metros de terreno. E nestas circunstâncias, caberá sempre ao Benfica conseguir desmontar este tipo de estratégia e encontrar espaço onde ele aparentemente não exista... especialmente agora que todos parecem respeitar o clube da águia!

O que já não é aceitável, são as práticas correntes de "queimar tempo". Os jogadores do Marítimo passaram minutos e minutos no chão: pseudo-lesões, cãibras, choques aparatosos, dores no ombro que nem sequer havia sido o atingido na sequência de uma pretensa falta dos encarnados, reposições da bola em jogo que tardavam sempre mais de meio minuto...

Um espectáculo lamentável, apenas visto nos campos portugueses. Protegido pelos árbitros e pela imprensa, que durante grande parte do jogo teve o descaramento de enaltecer a qualidade da equipa do Marítimo e até a sua experiência e matreirice na forma como encarou os lances... Talvez se trate de uma questão cultural, mas quando se fala de proteger o futebol espectáculo e a verdade desportiva, urge combater estas situações. Implacavelmente.

Várias opções se levantam para abordar este problema:

1) Manter tudo como está e apostar na capacidade do juiz da partida de avaliar quanto tempo útil se perde nestas situações... Claramente não resulta... raramente o tempo extra ultrapassa os 4 ou 5 minutos, claramente escasso para compensar o tempo perdido;

2) Revolucionar o jogo e adoptar como referência o tempo útil. A duração do encontro seria diminuída (25 minutos cada parte?) e o relógio deveria parar sempre que a bola não esteja em jogo. Esta solução teria implicações profundas em termos tácticos e em termos de cultura de jogo.

3) Os jogadores, com permissão do árbitro, são assistidos pelas respectivas equipas médicas e o jogo continua a decorrer normalmente. Esta opção tem um grande ponto contra, tendo em conta que poderá beneficiar o infractor (a equipa que comete a falta, acaba por estar temporariamente em vantagem numérica).

4) Implementar o "Cartão Azul". Há alguns anos atrás, no hóquei em patins, a um jogador que cometesse uma falta mais grave, era-lhe exibido o cartão azul, sendo excluído do jogo por um período de 2 minutos, ficando a equipa respectiva com menos um jogador em campo. Aqui o princípio seria distinto e poderia ter dupla aplicação... um jogador ao cometer uma falta passível de admoestação por cartão amarelo, seria forçado a sair de campo por um período de 5 minutos. Esta medida talvez reduzisse o ímpeto excessivo de alguns jogadores na sua abordagem aos lances. Pelo contrário, um jogador lesionado (ou que simule uma lesão), após interrupção do jogo seria de imediato retirado das 4 linhas e teria obrigatoriamente que permanecer fora do jogo durante 2 minutos. Nos casos em que um jogador esteja efectivamente lesionado, 2 minutos é o tempo óptimo para se conseguir refazer da dita lesão (por seu lado, o adversário que o lesionou, provavelmente também estará de fora, caso tenha sido admoestado com o cartão amarelo ou caso tenha sido menos correcto). Caso se tratasse de uma simulação em que as pseudo-lesões ocorrem ao mínimo toque, a saída obrigatória durante 2 minutos acabaria por prejudicar a própria equipa, que se veria em situação de inferioridade numérica. Esta dupla medida não teria qualquer impacto sobre o desenrolar normal do jogo e acabaria com muitos dos tempos mortos a que se assiste no futebol português, eliminando as práticas de anti-jogo gritante. A única situação de excepção seria a dos guarda-redes, muito mais facilmente controlável pelo árbitro do jogo, e por todos os que estejam a assistir à partida.

Declaro aberta a guerra ao anti-jogo!

Do jogo de ontem, ressalta ainda a força anímica da equipa do Benfica, que, pela primeira vez em situação (injusta) de desvantagem lutou e acreditou sempre, "massacrando" o adversário que só com muita sorte conseguiu sair da Luz com um empate.

Um início de época que, noutros anos e na língua de Cervantes, se poderia dizer, começa com "muita ilusão", como atesta a praticamente casa cheia ontem na Luz, com cerca de 55.000 pessoas vestidas de vermelho a empurrar as águias para a vitória. Uma primeira jornada em que os 3 grandes empataram. FCP e SCP tiveram a sorte do seu lado para chegarem ao empate nas respectivas partidas, o Benfica a "maldição" de não se conseguir desde já adiantar e, ao contrário dos adversários, com manifesta falta de sorte neste seu jogo de estreia.

Quinta-feira há Liga Europa (ou se se preferir, Taça UEFA) contra um adversário de nome impronunciável...

Força Benfica!

Saudações cativas.

12 agosto 2009

Novas Esperanças

Na semana em que termina a pré-época ou, se preferirem, em que começa esta nova época desportiva, é tempo de novas esperanças para os benfiquistas.



Um número recorde de jogos amigáveis e de "títulos" menores em vários torneios por essa Europa fora, mas acima de tudo, o prazer de ver algo que não se via há muito (o Benfica a praticar um futebol incisivo, alegre, bonito e não menos eficaz), levaram a equipa e o seu treinador a um "estado de graça"!



O maior risco, o deslumbramento, sem que nada se tenha ainda efectivamente ganho... Mas seja como for, é muito gratificante perceber que este ano, as outras equipas (incluindo FCP e SCP) têm um novo sentir sobre os encarnados: Temor! E é este "pânico" que importa espalhar ao longo da época, jogo após jogo, campo após campo!



Confesso que não era um admirador incondicional do novo treinador encarnado... e continuo a não ser. Por agora, no entanto, contra factos não há argumentos, apesar de alguns reforços de peso, a verdade é que a estrutura da equipa actual acaba por não ser muito diferente da da época passada.



A pequena grande diferença é que se joga muito mais e melhor... talvez não o anunciado dobro... mas resta saber se esta promessa de JJ se referia a jogar o dobro do que a equipa jogou a época passada contra o Nápoles (vai ser difícil) ou face à média sofrível que pautava o desenrolar de jogos, especialmente no final da temporada, em que o Benfica se arrastou penosamente até ao final do campeonato.



Em conclusão, está concedido o benefício da dúvida!... devidamente suportado pelas opções acertadas do novo técnico, pelas boas exibições e pelos bons resultados até agora alcançados!



Para este ano, fica a aposta pessoal na melhor equipa tipo:



Moreira, Maxi, Luisão, Sidnei, César Peixoto, Javi Garcia, Di Maria, Ramires, Aimar, Saviola, Cardozo.



Domingo "anda à roda", contra a sempre complicada equipa do Marítimo! Força Benfica!



Saudações cativas.



PS - Faz hoje 25 anos que Carlos Lopes conquistou a medalha de ouro da maratona, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984... e eu lembro-me de estar a assistir!... Como passa rápido!

02 julho 2009

O regresso da esperança

Como nenhum de nós gosta de se massacrar assim tanto a fase final da época passada foi passada um pouco em banho maria. Não temos espiríto de assobiar a equipa pelo que mais vale estar calado do que massacrar ainda mais.

Finda a época queria deixar apenas umas notas:
- a época foi uma desilusão;
- não concordo com o afastamento do Quique, apesar do mau desempenho aqui e ali, sou defensor que se deve dar tempo aos treinadores e aos jogadores, algo que nunca se faz no Benfica;
- não gosto do Jesus, e mesmo que venha a ganhar preferia um treinador com outro perfil.

Vamos então dar início à nova época que, esperamos, nos traga algumas alegrias (mais tarde falarei sobre as minhas espectativas).

Para começar a época nada melhor do que eleições. Nunca votei, não estava a pensar em votar mas depois destas confusões todas, vou votar no LFV só para marcar posição contra o "Vale e Azevedo" que chegou de avião vindo do Norte. Acho o tipo um palhaço e mesmo discordando de algumas atitudes do LFV (por exemplo o antecipar das eleições), acho-o com muito mais capacidade para nos trazer de volta às victórias, pelo menos já percorremos boa parte do caminho, falta só não morrer na praia.

21 fevereiro 2009

Nacionalismo bacoco

O senhor Luís Milhano escreveu na edição de segunda-feira do "pasquim recordista" um artigo acerca de umas declarações do Futre acerca das suas preferências para o resultado do jogo do Atlético de Madrid com o Porto.

Dando uma no cravo outra na ferradura, o senhor Luís lá vai dando eco da celeuma que as declarações do Futre causaram (ainda não percebi em quem) pois ele afirmou que gostaria que o Atlético passasse...

Quando leio comentários destes só me vem à ideia a expressão "Nacionalismo Bacoco", que é uma forma educada de dizer "Nacionalismo de Merda". Como é que se pode avaliar o caracter de uma pessoa pelas preferências clubisticas? Como é que se pode colocar em causa a integridade de uma pessoa apenas porque manifestou apoio a uma entidade à qual esteve ligado nos mais importantes anos da sua vida?

Não quero aqui fazer de advogado de defesa do Futre, até porque nem conheço o senhor. Tenho por ele um grande respeito pelo grande jogador que foi, e nada mais. Incomoda-me é a forma leviana como jornalistas abordam estes temas, embora não me surpreendam, são os jornalistas que temos, basta ver/ler/ouvir um jogo da selecção para perceber os Nacionalistas de Merda que temos de caneta em punho por este país.

Quem me conhece, sabe que apenas sou Benfiquista, estou-me a borrifar para as vitórias e derrotas dos nossos adversários, por exemplo, enquanto o Porto seguir à nossa frente, quero sempre que perca, depois disso estou-me nas tintas, seja qual for o adversário, neste momento do Sporting só me interessa o resultado do próximo fim de semana, depois disso, como vamos ganhar, passam a ser tão importantes para mim como o Portimonense. E esta é a minha abordagem do futebol, e cada vez mais clubista e menos nacional (cada vez me identifico menos com a Selecção).

23 janeiro 2009

Convalescença

Arbitragens à parte (cada vez acredito mais na incompetência dos árbitros em Portugal, contrariamente às estatísticas "oficiais"), o Benfica está em convalescença...

Uma recuperação difícil, sofrida minuto a minuto, com 4 vitórias em igual número de jogos.

Facto relevante, a solidariedade da equipa... em alta! Pelo contrário, a qualidade do futebol praticado ainda deixa bastante a desejar, pelo menos pelos padrões que enchem as medidas a um benfiquista médio.

Após interregno forçado, este espaço voltará à actividade regular, acompanhado das próximas vitórias do glorioso!

A seguir... Belém!

Saudações cativas.

17 dezembro 2008

Homens de Vermelho

Não, não são os do Benfica... São um grupo de irredutíveis jogadores mal pagos (quando comparados com a maioria dos restantes da I Liga portuguesa) que teimam em complicar a vida aos ditos grandes do futebol português.

Senão, veja-se: um empate no Estádio do Mar frente ao Benfica, e duas vitórias na condição de forasteiros em Alvalade e no Dragão!

Como se não bastasse, ainda tiveram o descaramento de ocupar o primeiro lugar do campeonato até à passada semana... e, "mal contentes", acabaram por eliminar o Benfica da Taça de Portugal...

O Leixões parece ser um bom exemplo da matriz de clubes que deveria compor o futebol português: trabalha com qualidade e com profissionais com P maiúsculo, tem os pés assentes na terra não embarcando em despesismos facilitistas subsidiados não se sabe por quem, tem uma forte implantação local e... tem adeptos! É um clube pequeno? Certamente que sim, mas nem por isso menos nobre, uma vez que evidencia todos os valores pelos quais qualquer clube ou associação desportiva digna desse nome se deveria reger!

Em relação ao jogo de Sábado propriamente dito, rezam as crónicas que o Benfica foi superior, mas que não conseguiu desfazer a teia defensiva montada por José Mota (um treinador que o é mais do que parece, ao contrário de muitos outros)... No final derrota nos penaltys com a falha de Reyes no remate decisivo. É a vida, sem excepções no que toca também ao futebol.

E está tudo dito, porque obrigações da quadra natalícia "obligent" a racionalizar o uso do tempo...

Apenas dois apontamentos curiosos, reveladores da grandeza do Benfica e de que muito dinheiro se ganha à custa do que se escreve sobre o glorioso:

- No dia seguinte à (surpreendente, ou talvez não) vitória do FC Porto frente ao Arsenal de Londres, que permitiu aos portistas assegurar a 1ª posição do seu grupo da Champions, qual o rosto que fazia a capa do "Record"?... Seria Jesualdo? Lucho? Lizandro? Hulk?... Nada disso, o grande destaque do dia foi mesmo para o regressado terceiro guarda-redes encarnado Moretto e para a sua eventual utilização no jogo da Taça frente ao Leixões!... É assim, afinal quem é que compra jornais?... Esclarecedor...

- Por isto mesmo, torna-se por vezes difícil "perdoar" a maldade de alguns jornalistas e editores desportivos... O 2º episódio passa-se na última segunda-feira, em pleno almoço de Natal de todos os colaboradores da SL Benfica, SAD, incluindo como é óbvio os jogadores do plantel. Com uma marcação cerrada, um jornalista persegue Cardozo com as óbvias perguntas sobre a sua não titularidade... O rapaz, já cansado de fugir, acaba por dar uma resposta do mais banal possível: basicamente que não havia nenhuma razão em especial para não jogar tanto de início, a não ser o treinador pensar que outros jogadores estavam a apresentar melhores níveis de desempenho na "cancha" do que ele próprio, assegurando que continuaria a trabalhar o melhor possível nos treinos para poder jogar mais, que era o seu objectivo. Resultado?? Novamente, a capa do "Record" trás um homem de vermelho em destaque. Quem mais do que o próprio Cardozo com umas sensacionais parangonas: "CARDOZO PÕE A BOCA NO TROMBONE... NÃO ENTENDO PORQUE NÃO SOU TITULAR"... Enfim, haja paciência, porque ainda por cima... é quase Natal!

Saudações cativas.

09 dezembro 2008

1.295 dias depois... O Benfica volta ao seu lugar

Os jornais adoram estes números, as estatísticas, os números engraçados, os números redondos. Confesso que me irrita um pouco quando se fala do golo 235 marcado com o pé direito calçado numa bota esquerda, ou do jogo 532 em que o árbitro utilizou roupa interior de mulher e a equipa da casa perdeu... é a chamada não notícia, estes dados, para mim têm relevância 0.

O que me leva então a colocar este número no título?

À saída do jogo com o Setúbal, conversava com o Pedro acerca da importância ou não de ir em primeiro, eu defendia que para mim era irrelevante se íamos em segundo ou em primeiro, desde que chegássemos ao final na frente... o Pedro contrapôs com um argumento que me fez concordar com ele, o factor psicológico que a posição arrasta, ou seja, neste momento somos os primeiros classificados do campeonato isolados, e quer queiramos quer não, isso causa mossa nos adversários, já não é o Leixões que lá está, somos nós e temos 3 pontos de vantagem sobre o Sporting e 5 sobre o Porto (menos um jogo). É óbvio que da mesma forma que isso causa pressão sobre os adversário, causa também pressão nos nossos jogadores, mas bolas, não são um bando de meninos, tirando um ou outro, têm obrigação de aguentar a pressão. Por isso tenho fé que esta passagem para primeiro tenha mais efeitos positivos que negativos. Além disso já vai longe a última estada no 1º lugar  pelo que, espero que os jogadores ao tomarem o gostinho o queiram manter até ao fim.

Só tenho pena que a derrota do Leixões tenha sido para dar pontos ao Guimarães, não é pela equipa, é pelo treinador. Não consigo compreender como é que um treinador absolutamente mediano, completamente defensivo consiga ter nos jornais a imagem de treinador brilhante e com um futebol bonito e ofensivo... alguém reparou que, como este ano o Guimarães já não serve para incomodar o Benfica já não tem as arbitragens do ano passado, consequentemente a classificação do ano passado? A reflectir...

Relativamente ao jogo com o Marítimo, não podia vir em melhor altura um resultado deste calibre, depois de uma semana muito complicada, a equipa precisava de um jogo assim. O Marítimo foi muito macio, sim talvez, o guarda-redes que levou 6 não é substituto à altura para o Marcos (para mim um guarda-redes que poderia aspirar a outros voos), sem dúvida, a equipa não foi assim tão brilhante como o resultado pode sugerir, certo... mas no final das contas o Marítimo joga na primeira divisão, tinha a melhor defesa do campeonato com apenas 5 golos sofridos e estava numa boa fase do campeonato, por isso acho que é justo que se dê algum mérito à vitória do Benfica e não seja só demérito do Marítimo. Fui acompanhando o jogo pelo meio de um jantar de aniversário, mas tenho a dizer que o que vi foi positivo, pelo que só tenho de dar os parabéns à equipa pela capacidade de dar a volta. Espero que este resultado positivo e o resultado negativo do Leixões sejam o mote suficiente para arrancarmos para o resto do campeonato com a convicção de que seremos os primeiros no final. Uma nota para o Suazo, grande grande grande jogador... só quero deixar aqui um desabafo, acho-o um pouco vedeta e não sei até que ponto ele estará integrado com o resto do plantel (isto não passa de pura especulação da minha parte, em resultado da observação dos jogos, não é nenhum rumor e não tenho nenhum conhecimento previligiado), se ele continuar assim, arrisca.se a voltar para o Inter, se calhar para o lugar do Quaresma que foi eleito o pior jogador da Liga Italiana (eleição dos adeptos para o Bidon d'Ouro, ou algo do género).

Para finalizar queria abordar a questão do guarda-redes do Benfica. Quero esclarecer que sempre fui, e ainda sou um "Moreirista" assumido. Quero também esclarecer que o Quim foi, durante algum tempo o meu "ódio" de estimação do Benfica (antes de aparecer o Luís Filipe...), mas ele conseguiu com o tempo provar-me que estava errado e que tínhamos no Quim um guarda-redes à altura. Eis que quando nada o fazia prever, a 1 ou 2 dias do início do campeonato da Europa, o Quim lesiona-se e afasta o fantasma acerca da sua titularidade na selecção, desde esse momento nunca mais foi o mesmo, a confiança a abordar as bolas tem sido a mesma que quando chegou ao Benfica e o peso da camisola se fazia sentir, e tem levado golos atrás de golos nas últimas semanas, alguns com responsabilidade outros nem por isso. Isto faz-me pensar sobre qual o estado da recuperação da lesão. Posto isto queria dizer o seguinte, achei mal que ninguém da equipa tivesse o apoiado quando sofreu o 2º golo com o Setúbal, acho mal que ninguém do Benfica o tenha vindo defender a público, acho ridícula a comparação com o Ricardo "das Aves", acho péssima a condenação que a comunicação social lhe está a fazer, e finalmente acho bem que tenha sido substituído na equipa, acho que o Quique fez bem em deixá-lo de fora, acho que é a melhor forma de o proteger e acima de tudo (pois essa é a sua função) proteger os interesses da equipa. Força Quim, a equipa precisa de ti. Força Moreira, é a tua oportunidade de provar que, sem a lesão estas questões não se colocariam pois serias hoje, de longe, o melhor guarda-redes português.

Saudações Cativas

04 dezembro 2008

E jogar para perder...

O Benfica atravessa uma fase complicada...

Depois de alguns jogos muito pobres exibicionalmente falando, embora com resultados positivos, os dois últimos encontros levaram a dois maus resultados.

Primeiro, uma derrota humilhante frente ao Olimpiakos, com um encaixe de 5 golos contra apenas 1 dos encarnados. No final do encontro, Reyes declarou à comunicação social que o resultado foi injusto e que o Benfica tinha realizado um bom jogo...

O paradoxo é que o jogo não foi efectivamente muito mau... ou melhor o jogo ofensivo, em especial na 2ª parte , foi até razoável. O "pequeno" senão prende-se apenas com o facto da equipa grega ter conseguido marcar um golo em cada ataque que realizou... Os centrais, com a estreia de uma dupla muito jovem que nunca tinha jogado em conjunto (Sidnei e David Luiz), não se entendiam e o "passador" completava-se com a apatia dos laterais (especialmente do lateral esquerdo) e do próprio Quim. Triste o adeus à Taça UEFA 2008-2009 (salvo uma eventual vitória miraculosa por 8 (!!!) golos sem resposta no último jogo frente aos ucranianos do Metalist).

Em segundo lugar, o retomar do campeonato na noite da passada 2ª feira. Mais um jogo fraco e com dissonâncias que irritam o mais calmo dos adeptos encarnados.

O bom:

15 minutos de grande nível a abrir a 2ª parte, nos quais foi possível marcar 2 golos de bom efeito e desperdiçar outras tantas oportunidades flagrantes, virando um resultado que ao intervalo era negativo.

O mau:

-A apatia generalizada na primeira parte, com a dormência de um jogo desinteressante;

-As mãos (ou a cabeça, quem sabe) de Quim... Má exibição do guarda-redes... inseguro, mal batido nos golos sofridos (especialmente no 2º) e claramente em crise de confiança. Não é o Quim da época passada, e a continuar assim, não pode ser o guarda redes do Benfica nem da selecção... Demasiados golos sofridos em 3 jogos (Brasil, Olympiakos e Setúbal)...

-O lateral esquerdo do Benfica... fraco, desatento, desinspirado... sem mais comentários (e ainda para mais acabou por lesionar-se perto do final do encontro).

-A equipa de arbitragem, que numa manobra circence conseguiu anular um golo limpo ao Benfica (bem como uma das escassas iniciativas positivas do anteriormente referido lateral benfiquista).

-A forma como o Benfica deixou de jogar depois de chegar à vantagem pela margem mínima. Uma coisa é controlar um jogo, outra é deixar totalmente de jogar... E nos últimos minutos do encontro o desnorte habitual, com bolas chutadas para o ar, faltas cometidas à entrada da área, cantos concedidos, no "desespero" de segurar a vitória, que acabou por fugir num lance bizarro por entre as mãos do guarda-redes do Benfica.

- Algumas opções estratégicas de Quique Flores: a equipa continua em construção - segundo a imprensa desportiva, 5 meses já é tempo demais, sem que se vejam resultados - não corresponde exactamente à realidade, porque afinal o Benfica está esta época com melhores resultados que nas últimas (no que diz respeito à Liga portuguesa) e continua na tabela classificativa acima dos seus rivais de sempre. Apesar disto, é verdade que há opções que não se entendem, como a constante reformulação (quase) total do meio campo e ataque benfiquistas, de jogo para jogo.

- Não foi possível quebrar o enguiço da liderança. Apesar do empate do Leixões, o Benfica deixou escapar no último minuto a vitória que lhe daria o 1º lugar na tabela, depois de demasiados dias sem conhecer essa posição. Bem se sabe que no final é que se devem fazer as contas, mas de todo o modo, a barreira psicológica do 1º lugar ainda não foi quebrada.

Em resumo, no último mês, parece ter havido um decréscimo exibicional da equipa, agora acompanhado de alguns maus resultados e de mais uma vaga de lesões... Será uma fase passageira? Será um problema efectivamente na construção da equipa? Veremos nos próximos encontros. Por agora fica o amargo de um mau mês futebolístico e o adeus antecipado à Europa.

Saudações cativas.

24 novembro 2008

Jogar para ganhar

Eis o regresso às crónicas após o desaire caseiro com o Galatasaray, precisamente na semana em que o Benfica volta a jogar a sua sorte na taça UEFA, desta vez, na Grécia.

Depois desta última derrota, a equipa encetou um caminho de vitórias consecutivas, 1 para a Taça de Portugal frente ao Desportivo das Aves, e duas para o campeonato, frente ao destroçado Estrela da Amadora e, ontem mesmo, na deslocação a Coimbra para defrontar a Académica local.

Estes três jogos têm uma linha condutora e características comuns:

- Para começar, foram jogos pouco entusiasmantes (de bocejar mesmo), e porventura por este facto, apenas agora justificam um pequeno comentário neste espaço;

- Em todos os eles, a equipa não apresentou índices exibicionais de relevo... pode-se dizer mesmo que jogou em serviços mínimos para garantir os pontos em disputa (ou o acesso à seguinte eliminatória da taça);

- Poucas oportunidades de golo foram criadas, mas os níveis de eficácia foram notáveis (veja-se o exemplo de ontem: na primeira parte, uma oportunidade um golo, na 2ª, uma oportunidade - remate ao poste de Suazo - 1 golo, mas na sequência de uma grande penalidade conquistada por Reyes);

- Alternância do 11 titular: Quique Flores continua a fazer uma gestão do seu plantel (especialmente na vertente ofensiva) e optou por fazer rodar em todas as partidas vários jogadores. Ontem ficaram de fora de início os habituais Katsouranis, Carlos Martins, Aimar, Jorge Ribeiro e Suazo.

Já aqui escrevi que os campeonatos se ganham muito à custa destes jogos pouco entusiasmantes, desde que deles resulte o amealhar de pontos correspondente.

Ora o Benfica de Quique Flores conseguiu ganhar esses pontos, e ainda para mais "poupando" a equipa por um lado e, por outro, deixando a mensagem ao plantel que todos podem ser chamados a qualquer momento, o que é muito benéfico em termos de competitividade interna.

Quando os jogos não apaixonam, há que garantir os 3 pontos, e é isso que tem acontecido, com o Benfica a cimentar a sua posição no topo da tabela (atrás de um surpreendente Leixões que não desarma da liderança!)...

Algumas notas ainda sobre o jogo de ontem:

- A adaptação de David Luiz a defesa esquerdo não parece ter sido muito feliz, apesar de cumprir vários objectivos (nomeadamente o descanso de Jorge Ribeiro para os próximos embates e o recuperar de ritmo competitivo do regressado David Luiz, após longa paragem). O jovem brasileiro não comprometeu, mas também não fez propriamente uma exibição de encher o olho... E uma pergunta: Onde está Léo?

- Luisão abandonou o relvado um ou dois minutos antes do final da partida. Tudo tranquilo, a vitória estava garantida, a Académica estava longe de ameaçar, e, apesar de já estarem esgotadas as substituições, estavam em campo vários jogadores que podiam compensar a saída do subcapitão encarnado... Espera-se que não seja o início de uma lesão relevante... De todo o modo, existem soluções, nomeadamente a de David Luiz.

- Cardozo, em 9 jogos na liga já conta 5 golos (de penalty ou não, é pouco relevante, porque também é preciso arte para concretizar as grandes penalidades). A utilidade do gigante paraguaio parece continuar a ser inegável, embora ande um pouco ofuscado pela concorrência aos olhos dos adeptos. Ontem alinhou de início, marcou o 2º golo do Benfica mas pareceu realmente um pouco cabisbaixo e alheado do jogo. Já se sabe que, a um jogador com as suas características, se lhe pede apenas que toque duas ou três vezes na bola e que nessas ocasiões, concretize... mas ontem realmente, apesar do golo, não rendeu o habitual. Será necessário que o treinador ou alguém lhe explique por um lado a sua importância no plantel, mas que deixou de haver titulares indiscutíveis. O Benfica precisa de um Cardozo motivado, inspirado e, sempre que toque na bola, "matador"!

- Suazo entrou apenas na 2ª parte e voltou a confirmar as suas capacidades: sempre felino e agressivo, rápido e tecnicista, voltou a ficar a 5 cm do golo... a largura da base do poste da Académica... e que golo seria!

Saudações cativas.