10 novembro 2008

Derrapagem

Na passada 5ª feira, a equipa do Benfica, ao defrontar o Galatasaray para a taça UEFA, deve ter "colocado o pé" em falso e não evitou uma senhora escorregadela...

Foi uma partida muito fraca, especialmente a 2ª parte (a pior da época, até de acordo com a opinião do próprio Quique Flores).

Uma derrota por 0-2 custou a encaixar, mas pior do que isso, assistir à velha conhecida dos adeptos do Benfica, a apatia da equipa.

Nada corria bem:

- os avançados perdidos, pese embora a exibição esforçada (nomeadamente a de David Suazo, que ainda assim, conseguiu alguns lances que ameaçaram a baliza turca);

-os médios laterais (Reyes e Di Maria) com constantes perdas de bola nos movimentos ofensivos desequilibrando muito a estrutura defensiva da equipa;

- os médios centrais (Yebda e Katsouranis) parados no seu m2 de espaço (a fazer lembrar o bom velho Michael Thomas) num modelo de defesa à zona que foi uma maravilha para os turcos circularem a bola a seu "bel prazer";

- os defesas laterais (Maxi e Jorge Ribeiro) muito presos na defesa, sem apoiarem os movimentos ofensivos e a equivocarem-se em muitos lances face aos seus opositores;

- os defesas centrais (Luisão e Sidnei) apesar de fragilizados pela falta de consistência da equipa, permeáveis aos movimentos mais rápidos dos avançados turcos.

Enfim, pouco ou nada correu bem... foram 45 minutos para esquecer (ou não), em que não se viu uma jogada com princípio, meio e fim... lamentável.

Já se sabe, a equipa tem pouco tempo, está em construção, etc. Mas a irregularidade assusta muito... há que acreditar que se tratou de uma derrapagem acidental, um acidente de percurso que não vai deixar marcas no futuro. Assim se espera!

Saudações cativas.

05 novembro 2008

Campanha de Cristiano Ronaldo a melhor do mundo

Definição de Jornalismo na Wikipedia:

"Jornalismo é a atividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados factuais e divulgação de informações."

Esta é definição que tenho em mim de jornalismo, e apesar de me deparar com cada vez mais surpresas relativamente à aplicação do termo jornalismo, confesso que iniciativas como esta do JORNAL A Bola me deixam deveras irritado com o provicianismo que demonstram.

Falando do Cristiano Ronaldo, não queria deixar de dar os parabéns a esse grande clube que é o Sporting e que pela primeira vez nos seus 102 anos de história atinge esse pedestal que é a passagem aos oitavos de final da Champions. Força.

03 novembro 2008

Sempre a sofrer!

Pelo segundo ano consecutivo, o Benfica conseguiu na deslocação a Guimarães (terreno para sempre marcado pelo "até já" de Miklos Feher") o regresso com 3 pontos, equivalentes a mais uma vitória.

O Benfica entrou melhor no jogo.

Aproximadamente à passagem do primeiro quarto de hora, o regressado à titularidade Aimar brindou-nos com um passe por trás das costas, magnífico, que descobriu Suazo sobre a ala esquerda... Este armou-se do seu instinto felino (que lhe vale em algumas paragens o título de "pantera negra") e, com uma velocidade e técnica assinaláveis, deixou para trás 2 defesas do Vitória e rematou forte, rasteiro e cruzado para inaugurar o marcador! Um grande golo depois de uma grande assistência!

Três minutos volvidos, livre sobre a direita batido por Reyes que descobriu a cabeça de Sidnei na grande área, para ajeitar para o 2º golo da partida!

E com isto, os benfiquistas pensaram... "finalmente vamos ter um jogo tranquilo"!... Nada disso! Os jogos do Benfica primam sempre pela emoção até final... é que em 5 minutos, no final da 1ª parte, a equipa consentiu um golo depois de uma boa jogada de ataque do Vitória e ficou sem uma das suas mais preponderantes peças... Reyes, mais ou menos bem expulso, na sequência de dois cartões amarelos...

A segunda parte foi muito intensa, com o Benfica a tentar e a conseguir até ao final segurar o resultado. Não se pode dizer que tenha sido um "sufoco", mas a verdade é que o apito final do árbitro fez os benfiquistas respirar de alívio!

Em resumo, mais uma exibição que não foi brilhante, desta vez muito por culpa das circunstâncias, mas que deu mais uma vitória num terreno muito difícil, e que permite pela 2ª jornada consecutiva deixar os eternos rivais para baixo na tabela classificativa.

A reter:

- O regresso de Pablo Aimar, que evidenciou muitos pormenores de classe, apesar de ter sido muito castigado enquanto esteve em campo... foi alvo de entradas duríssimas sem qualquer punição para os jogadores vimaranenses;

- O grande jogo de Suazo: grande técnica, grande velocidade, grande instinto... grande jogador! Se conseguir "sobreviver" às entradas assassinas dos adversários, marcará muitos golos e trará muitas alegrias aos adeptos!... um avançado como há muito não se via a actuar em Portugal, um jogador da divisão de elite do futebol mundial!... Arrepiante o pontapé que recebeu na face, arrepiante ver os pitons da bota do jogador do Vitória bem levantados... mais uma vez sem quaisquer consequências técnicas ou disciplinares;

- Jorge Ribeiro continua na lateral esquerda... ontem foi possível contar 7 intervenções menos conseguidas (apesar de nenhuma delas comprometer definitivamente a situação defensiva da equipa)... enfim, escapa... Seria óptimo dizer que temos como o defesa lateral o futuro escolhido para ocupar esse lugar na selecção nacional, mas sinceramente, não me parece... as suas exibições não passam nem por nada do aceitável, e enquanto estiverem neste patamar, menos mau!... (a finalizar o jogo, ainda teve força para uma corrida pelo lado esquerdo e para um cruzamento que quase dava a Yebda a oportunidade de "matar" o encontro);

- Yebda ainda não foi o "globe trotter" de outros jogos, mas já pareceu outro comparativamente com o jogo com a Naval... A recuperar forma!... e a garantir mais segurança no meio campo!;

- Caso raro neste espaço, um comentário para a equipa de arbitragem... Exibição péssima!... Se nos casos mais polémicos se lhe pode dar o benefício da dúvida (penalty sobre Aimar e expulsão de Reyes), é incompreensível que o Vitória tenha terminado o jogo com 11 jogadores em campo!... Os vimaranenses entenderam a mensagem que lhes passou Carlos Xistra logo no início da partida e não perderam tempo... durante todo o encontro, nas disputas de bola, entraram com tudo, mesmo para lá das regras e... não foram castigados por isso! Depois, uma série de lances subtis e irritantes, que trazem estes sim a verdadeira sombra de suspeição... faltas cirúrgicas, lançamentos laterais e pontapés de canto inexistentes, situações de fora-de jogo, mais de 5 minutos de tempo extra quando quase não se verificaram interrupções na partida... erros sempre a beneficiar a mesma equipa.

- Por último, uma palavra para o treinador do Benfica. Com ele a equipa reaprendeu a estar em campo e tem dado sinais de melhoria de partida para partida. No entanto, continua a tomar algumas opções duvidosas... veja-se a entrada de Cardozo ontem. Numa fase do jogo em que o Benfica mal saía do seu meio campo e usava apenas a velocidade de Suazo para explorar o contra-ataque, não é lógica a substituição deste pelo paraguaio, que claramente não tem os mesmos atributos... é mais lento, não tem a mesma técnica para dominar bolas longas, dá-se mal a jogar muito desapoiado... A não ser que Quique Flores estivesse a pensar nos centímetros extra de Cardozo em eventuais situações defensivas, é difícil entender a opção do treinador encarnado e é normal que a nota para a exibição do avançado seja negativa!

O Benfica continua a não estar excelente... por agora, está apenas relativamente bem. Tem vindo a ser empurrado pela determinação dos jogadores e por alguma sorte, que lhe valem por agora e desde já 2 e 4 pontos de avanço sobre o SCP e o FCP, respectivamente.

Mas uma coisa é certa, é hoje claro que a equipa tem recursos para fazer uma época exigente, mais recursos que os seus adversários... e tem espaço para melhorar e deixar de estar sempre em aflição jogo após jogo... Tem condições para arrancar para uma grande época rumo ao título!

Até lá, é sempre a sofrer!

Para a semana há (outra vez) taça frente ao Desportivo das Aves (espera-se que desta vez sem os sacrifícios da última eliminatória)!

Saudações cativas.

27 outubro 2008

Os campeonatos ganham-se (também) jogando mal!

É impossível a uma equipa, seja ela qual for (mesmo as de Mourinho) jogar sempre ao mesmo nível ao longo de uma época cada vez mais longa, com várias competições em paralelo e com níveis de exigência cada vez mais levados ao limite.

Para ter sucesso é claro que tem que ser desenvolvido um trabalho de qualidade pela equipa técnica, de preferência tendo à disposição peças de qualidade para colocar em campo, de acordo com as circunstâncias e com a forma física, técnica e psicológica de cada jogador...

Mas para além disto, para além de tranquilidade dentro e fora do balneário, para além do apoio incondicional dos adeptos, para além de confiança, é fundamental um outro factor, mais ou menos aleatório: a sorte!

Ontem, frente à Naval, o Benfica jogou mal, mas, pela primeira vez esta época teve sorte... Seguramente, pode-se considerar improvável que, uma equipa que nunca conseguiu mandar no jogo frente à Naval, depois de estar a ganhar 1-0 (fruto de um lance de bola parada), sofrendo o empate aos 82 minutos de jogo, conseguisse ainda chegar à vitória...

Mais improvável ainda, que o golo decisivo tenha nascido de um cruzamento de Jorge Ribeiro (com uma "tímida" exibição ao longo da partida), e tenha sido concretizado num golpe de cabeça de Cardozo!...

Foi sorte?... Claro que sim! Mas estes três pontos já estão contabilizados, e todos os pontos contabilizados são importantes para a contagem final... valem tanto como os conquistados frente ao Sporting ou como os que possam ser conquistados numa grande goleada a coroar exibições de luxo.

Ora é fundamental que nesta fase de amadurecimento da equipa, sejam amealhados estes pontos, e a verdade é que já não havia memória da última ocasião em que o Benfica teve que olhar para baixo para encontrar ambos os eternos rivais na tabela classificativa.

Mais importante ainda é esta fase do campeonato, porque se começa a perceber que alguns adversários dos jogos já decorridos são efectivamente adversários difíceis (o SCP ou o FCP não conseguiram aliás melhor que o Benfica - vidé casos do Paços de Ferreira ou do Leixões)... O que não quer dizer que agora venham aí os "fáceis"... Para começar, na próxima semana, deslocação a Guimarães...

Ainda no que diz respeito ao jogo com a Naval, alguns apontamentos:

- Má exibição dos laterais encarnados, com Maxi Pereira muito abaixo do normal a conceder muitas facilidades aos brasileiros baixinhos e super-rápidos que vieram da Figueira da Foz e Jorge Ribeiro a continuar na senda das exibições pálidas (sentirá constantemente a sombra de Léo?), efeito apenas atenuado pelo cruzamento conseguido para o 2º golo do Benfica;

- Meio campo lento, com poucas ideias e muito desgastado - o jogo do Benfica foi lento, Yebda parece não estar recuperado da recente lesão... Carlos Martins já não teve pernas para se conseguir mexer nos últimos 20 minutos de jogo, Reyes e Di Maria com lacunas defensivas graves que explicam em parte as falhas dos laterais (um alerta para Quique Flores: tem que ter mais atenção com os jogadores que deixa em campo quando esgota as substituições... ontem o Benfica acabou o jogo com 8, 9 jogadores efectivos);

- Continua a faltar inteligência aos jogadores e à equipa colectivamente. Mais uma vez, depois de se encontrar numa posição de vantagem, a equipa perde-se, não sabe mudar o ritmo de jogo e coloca-se à mercê para a recuperação adversária, que tem acabado sempre (ou quase) por se verificar... falta inteligência, saber segurar a bola e confiança de que é possível segurá-la com qualidade;

- A atitude da equipa tem que (continuar a) ser trabalhada para encarar todos estes jogos menores como finais que são;

- A qualidade de jogo tem que melhorar substancialmente, de forma a que se atinja uma regularidade mínima... a sorte não tem por hábito acompanhar o Benfica por muito tempo.

Saudações cativas.

PS - Ultimamente sinto-me bastante solitário...

24 outubro 2008

Ruído de comunicação

O Benfica saiu ontem de Berlim com 1 ponto no primeiro jogo da fase de grupos da taça UEFA...

Um ponto com sabor agri-doce... pelo que se passou em campo o resultado parece justo, no entanto, o potencial da equipa benfiquista não se materializou nas quatro linhas...

Ao contrário de algumas críticas endereçadas a Quique Flores, o treinador do Benfica enviou as mensagens certas para dentro do campo. Optou por uma formação inicial de ataque e descomplexada, dando a entender que se os jogadores baixassem para o relvado o seu verdadeiro potencial, o regresso a Lisboa seria coroado com uma vitória. O mesmo sucedeu com as substituições efectuadas: a mensagem foi sempre a de que a vitória estaria ao alcance e jamais uma intenção de segurar um resultado (fosse ele o 0-0, quer fosse o 0-1 fruto do golo "acidental" de Di Maria).

O que sucedeu foi o crónico problema de falta de confiança dos jogadores em si próprios. Talvez pelas sucessivas épocas de insucessos, talvez pela pressão exercida sobre este plantel para que compense a ausência de alegrias dadas aos adeptos...

O início do jogo foi tranquilo e facilmente controlado pelo Benfica. No entanto, quando o Hertha de Berlim esboçou os primeiros lances de futebol ofensivo (com especial destaque para o jogador Voronin, que ocupou toda a largura do terreno), a equipa começou a tremer...

Pior, quando se viu em posição de vantagem, os jogadores interiorizaram a ideia de que o resultado estava para além das suas capacidades, que era no fundo bom demais, remetendo-se a partir daí a uma toada defensiva de "vamos lá aguentar isto"...

Ora como é habitual, sujeita a este tipo de pressões, a equipa acaba sempre por ceder e a cerca de 15 minutos do final, lá surgiu o golo da igualdade num bom remate com alguma sorte à mistura.

Menos mal a obtenção deste primeiro ponto, embora o élan que se conseguiria por sair na liderança do grupo estar irremediavelmente perdido, obrigando o Benfica agora a uma vitória frente ao Galatasaray, para seguir caminho em direcção à qualificação para a fase seguinte. Quique Flores procurou essa vantagem extra, enviou as mensagens subliminares à equipa nessa orientação, mas o ruído de fundo não permitiu que os jogadores a entendessem.

Aspectos preocupantes: a troca imprevista em cima da hora do jogo de Yebda por Bynia (embora não tenha comprometido, não dá efectivamente a mesma profundidade ao futebol encarnado, proporcionada normalmente pelo jogador francês) e a insistência de Quique Flores (aqui sim, um erro de estratégia) em escalar uma defesa com apenas "3 jogadores e meio"...

Jorge Ribeiro pode ser um bom suplente, uma boa opção de recurso, mas não sabe efectivamente nada que o Léo ainda tenha que aprender ficando a ver o jogo de fora. Jorge Ribeiro continua a revelar receios excessivos em apoiar o ataque, não se notando uma segurança adicional por este efeito em termos defensivos... Os seus cortes são por vezes precipitados e, mesmo sem se aventurar ofensivamente, é algumas vezes apanhado em contra-pé, especialmente se encontrar pela frente jogadores rápidos (como Voronin)... Uma questão a revisitar, espera-se que por pouco mais tempo, até que Léo recupere a natural titularidade.

Saudações cativas.

20 outubro 2008

"Há Taça..." (ou "Ah... a Taça!")

Um suspiro de alívio, quando Suazo disparou o último penalty para o fundo das redes do Penafiel...

Foi o fim de um jogo que parecia não ter fim, e que só deu motivos para sorrir aos benfiquistas quando Moreira, alguns segundos antes, com uma excelente defesa, negou o golo a um jogador penafidelense.

Por pouco não "houve taça" ontem no estádio da Luz... por pouco o Penafiel não se conveteu no mais recente "tomba-gigantes"...

O que houve sem dúvida foi um bocejo colectivo da equipa encarnada, como quem diz: "Ah... é um joguito da taça, contra uns amadores..." (que por acaso há alguns anos atrás marcavam presença assídua no primeiro escalão nacional).

Este bocejo revelou-se quase fatal para as aspirações do Benfica na competição. O mais curioso é que não consigo dizer que o Benfica jogou muito mal... apenas lenta e desinteressadamente. O problema veio com o passar do tempo, com o facto da bola não ter entrado na baliza adversária (grande exibição do guarda-redes do Penafiel)... e com o fantasma do que aconteceu na passada quarta-feira no jogo entre Portugal e Albânia...

Com efeito, se as selecções nacionais estivesses organizadas formalmente por divisões, a Albânia estaria situada certamente na 2ª divisão B (ou até mesmo mais abaixo). A verdade é que, tal como sucedeu ontem, as duas equipas mais fracas puseram em campo tudo o que tinham e algo mais, tiveram a sorte (?) de encontrar adversários pouco empenhados e desinspirados e contaram com exibições de luxo dos seus guardiões...

Felizmente, o jogo ontem não podia acabar empatado e a serenidade dos jogadores encarnados fez a diferença...

De destacar a exibição de Makukula, jogador que após semanas sem intervenção competitiva, aparentemente afastado terminantemente das principais opções do técnico encarnado, mostrou que podem contar com ele para jogos com determinadas características. Dos avançados do Benfica (com excepção de Suazo, ainda um ilustre desconhecido) é sem dúvida o melhor cabeceador. Ontem esteve muito activo, lutador, empenhado, embora por vezes um pouco atabalhoado... conseguiu no entanto 2 ou 3 remates de cabeça que apenas não resultaram em golo por intervenções de mérito do guarda-redes adversário.

Cabe agora a quem de direito ter entendido a mensagem e saber que, quando for necessário jogar em "chuveirinho", pode contar com este recurso, até no sentido de o valorizar para uma futura eventual transferência.

Voltando ao jogo, Suazo pôs fim (espera-se que definitivo) ao bocejo colectivo, com a comemoração da passagem à próxima ronda (por momentos parecia uma celebração de um feito de outra dimensão), que esperemos mantenha bem acordada a equipa até à próxima 5ª feira, para o jogo com o Hertha de Berlim!... e, claro, para os jogos seguintes, no regresso ao campeonato nacional!

Saudações cativas.

12 outubro 2008

Os primeiros testes

Desde meados de Agosto que estou afastado das lides bloguistas, primeiro e sobretudo por falta de tempo, e segundo por alguma desmotivação temporária. Desde há uma semana que a desmotivação se transforma lentamente em motivação e são já alguns os textos que comecei a esboçar para o retorno Outonal.

O primeiro a sair da cartola surge então relativamente ao meu Benfica. Como saberão os meus companheiros de blog e de bancada, tenho estado a evitar fazer grandes avaliações relativamente a esta "nova época nova" em que mais uma vez tudo muda e espera com ambição bons resultados. É minha convicção que, tanto o Rui Costa como o Quique, merecem que se lhes seja dado tempo para mostrarem o que podem fazer.

Passadas que foram já 5 jornadas para o campeonato e uma eliminatória da Taça UEFA sinto que já posso fazer uma avaliação mais a sério do que foi esta pré-época e fazer uma previsão do que vai ser o resto da época.

Saldo: 2 vitórias, 3 empates. À primeira vista pode parecer um início de época do costume, ou seja, o campeonato já perdido e adeptos já a questionar a contratação de um treinador desconhecido. O que realmente está a acontecer é que temos os adeptos em sintonia com a equipa e com as opções tomadas na pré-época. Nestes jogos já recebemos o Porto e o Sporting em casa e com resultados moralizadores (não bons porque se exige sempre a vitória), um empate e uma vitória. Temos um treinador ambicioso mas realista, temos um treinador com vontade de ganhar e sem medo de errar, não sendo perfeito, acho que é o treinador com o início de época mais promissor dos últimos anos. Demonstrou, na minha opinião, três problemas até ao momento, tem um modelo de jogo algo fixo e mais adaptado a jogos com equipas maiores em que a pressão alta surpreende e resulta mas que não favorece o ataque continuado que é necessário contra equipas mais pequenas (os jogos com o Leixões e com o Paços foram bons exemplos disso); esgota sempre as substituições a 20/30 minutos do fim (passámos do Camacho que só substituía aos 75 min para o oposto) e com uma equipa a dar sempre o litro durante os 90 minutos é um risco que já causou alguns dissabores (Porto e Nápoles); finalmente um problema que é mais pessoal e que nasce de uma avaliação completamente tendenciosa,  detesto o Jorge "Pesetero" Ribeiro, adoro o Leo e não consigo entender o que é o melhor lateral esquerdo que passou pelo futebol português nos últimos 10/15 anos ainda tem para aprender que o Jorge "Pesetero" Ribeiro já tenha aprendido, confesso que me faz muita confusão. Dito isto acho que o Quique se revelou uma boa escolha, ainda tem muito para aprender sobre o futebol português (o jogo com o Leixões foi exemplo) mas se aprender com os erros tem todas as condições para chegar ao final da época a ser levado em ombros pelos adeptos.

Terminada a análise sobre o treinador gostaria de deixar umas palavras sobre o Luís Filipe Vieira, o Rui Costa e sobre a equipa que ele soube construir.

O Luís Filipe Vieira é para mim um bom presidente, não é óptimo, mas é bom e tinha como principal defeito o não saber estar calado, diria que algo o fez aprender a concentrar-se nas suas funções de gestão e deixar o futebol para quem sabe. É óbvio que o processo de transferência do Rui de jogador para dirigente foi muito mau, mas terminou e agora temos alguém a gerir o nosso futebol que é um senhor, educado, elegante e com um conhecimento do futebol português e internacional invejável, se somarmos a isso um prestígio internacional relevante, parece-me que temos a pessoa indicada para o cargo.

Quanto à equipa que o Rui construiu para esta época tenho os seguintes comentários: começando pelos negativos tenho a dizer que acho que a equipa tem poucos jogadores portugueses, e que não tem um lado direito da equipa à altura do lado esquerdo, não me vou alongar mais porque acho que não são problemas graves; quanto aos aspectos positivos, tenho a dizer que a contratação do Reyes foi a decisão que poderá ser decisiva para o desenrolar do campeonato, é um jogador muito acima da média, consiga ele manter a concentração necessária, temos finalmente um desequilibrador à altura do Simão; o Suazo foi, na minha opinião, um mal que veio por bem, ou seja não se contratou o Luís Garcia (achava-o muito caro para a diferença que poderia fazer) e veio um jogador possante e rápido que poderá ser determinante nos jogos contra equipas mais pequenas; a saída do Petit deixou-me algo preocupado porque, apesar de achar que ele já tinha entrado na fase decrescente da sua forma física, não via no plantel alguém pudesse cumprir o seu papel de todo o terreno, e eis que ao fim de 1 ou 2 jogos aparece Yebda, um portento de força e capacidade física que não é nenhum trambolho e que tem mostrado capacidade para tomar conta do meio campo quase sozinho (o Ronhanholi e o Moutinho que o digam), um achado, parece-me daquele tipo de jogador que quase todas as equipas de topo têm, um Patrick Vieira à nossa dimensão; Na defesa há que referir 2 portentos, Sidnei e Miguel Victor, se um tinha de justificar o elevado custo o outro tinha a responsabilidade de mostrar que as escolas do Benfica estão a voltar ao bom caminho, até ao momento nenhum deles me desiludiu, antes pelo contrário, juntando a estes dois um Luisão em boa forma e o futuro melhor central do mundo (se as lesões o deixarem) David Luiz temos 4 centrais como nunca tivemos, resta ao Quique saber rodar entre os 4 para tirar deles o seu enorme potencial.

Finalmente expectativas para a época em curso. Parece-me que os nossos adversários estão particularmente acessíveis ente ano, tenho para mim que o Jesualdo ainda vai engolir o orgulho portista que agora ostenta e o Paulo Bento ainda se vai arrepender de não ter aceite o alegado convite do Man United para ser campeão pelo Sporting... feitas as contas acho que este é um ano em que apesar de se estar a construir a equipa temos boas hipóteses de ganhar o campeonato, embora não o possamos exigir porque ainda vamos, certamente, passar por algumas dificuldades.

06 outubro 2008

O melhor dos últimos anos!

Na 5ª feira à noite, tive o prazer de assistir àquele que considero ser o melhor jogo do Benfica desde há alguns anos!

A vitória frente ao Nápoles, trouxe-me à memória outras grandes noites europeias do passado mais ou menos longínquo... os 4-4 em Leverkusen, os jogos com o Arsenal (ainda no Highbury Park, e não no "Emirates Stadium"), com Isaías e Campbell a brilharem, ou viajando ainda mais, as meias-finais com o Marselha, sendo que no jogo caseiro, o antigo Estádio da Luz foi verdadeiramente um inferno (para os franceses!).

Que grande exibição do Benfica: técnica, táctita, de atitude e confiança!... Quique Flores rodou o plantel (por lesões, castigos e afins de alguns jogadores), fez substituições mais ou menos ortodoxas (por exemplo a entrada de Bynia que não jogava há algum tempo, para o lugar do pulmão Yebda) e a equipa, segura e personalizada, não se ressentiu das ausências ou das novas peças em campo.

Continuou sim a praticar um futebol bonito mas prático, e acima de tudo confiante de que a vitória e a passagem na eliminatória em primeira instância eram perfeitamente possíveis e, depois do 1º golo, que estavam asseguradas!

Para continuar!

+ Os grandes golos de Reyes e Nuno Gomes;
- os elos mais fracos, Jorge Ribeiro (algo inseguro) e... Di Maria (continuando demasiado agarrado à bola, e consequentemente... inconsequente).

Classificação: 17/20!

Hoje, frente ao Leixões, espera-se que haja mais do mesmo, num jogo difícil, por ser completamente diferente e longe do "glamour" europeu de 5ª feira... é dia de voltar ao trabalho de bastidores, que permite aos artistas brilharem no dia dos grandes concertos!

Saudações cativas.

03 outubro 2008

Assim vale a pena!

O Benfica já ganhava por 2-0 aos 88 minutos quando ainda vi o Reyes e o Nuno Gomes a pressionar na grande área do Nápoles...

Obrigado Sr. Quique, Sr. Rui Costa e obrigado aos jogadores pelo grande espectáculo de futebol que ficou perfeito com a ajuda de fantásticos adeptos!!

A paella estava soberba ;)

Saudações Benfiquistas!
LM

29 setembro 2008

Rampa de Lançamento!

Os dados estão (re)lançados!

Com um início de época titubeante, este fim de semana marcava o início de um ciclo mais ou menos determinante para o sucesso da equipa, mas essencialmente para atingir níveis de tranquilidade adequados para continuar com o trabalho sério que tem vindo a ser desenvolvido pela equipa técnica do Benfica e respectivo plantel às suas ordens.

As vicissitudes têm sido muitas: entre lesões, castigos, falta de entrosamento, aquisição de novos conceitos tácticos, comprovada falta de sorte em alguns lances defensivos e um calendário improvavelmente difícil (Porto, Sporting e 2 jogos com o Nápoles em menos de um mês), é evidente que, em caso de derrota no jogo com os leões no passado Sábado, os 7 pontos de atraso correspondentes, abalariam e muito a atitude e confiança desta equipa benfiquista ainda em construção, sempre pressionada pelos adeptos mais exigentes do mundo, pela imprensa e claro, pelos investidores (leia-se instituições financeiras) com interesses na SAD benfiquista.

Quique Flores apostou numa dupla de centrais muito jovem (também face às ausências forçadas) e foi ainda mais além, “dispensando” os serviços do jovem Leo (até há pouco considerado como um imprescindível da equipa, a meu ver bem), fazendo alinhar na defesa esquerda o reforço (?) Jorge Ribeiro.

Opção questionável esta, uma vez que me parece que Leo oferece muito mais garantias quer ofensivas, quer defensivas, desde que instruído para o efeito. Enfim, esta troca pode ter três ou 4 explicações possíveis: 1) poupar recursos disponíveis, com vista à utilização de Leo e das suas capacidades ofensivas num jogo que o Benfica necessita ganhar frente ao Nápoles; 2) uma quebra de forma do lateral esquerdo brasileiro; 3) uma maior confiança (questionável) nas capacidades defensivas de Jorge Ribeiro, de forma a permitir uma maior liberdade a Reyes ou 4) outra questão menos saudável em termos de balneário (de todas as opções, esperemos que não seja este o caso).

Seja como for, o Benfica venceu e bem, vitória no derby lisboeta que começou, coincidência ou não, precisamente a desenhar-se num belíssimo pontapé de Reyes!

O Benfica correu mais, teve mais atitude e teve efectivamente alguma supremacia táctica face à tentativa de jogo directo, praticado pelo Sporting. No entanto, os jornalistas que cantaram louvores à exibição benfiquista (quer dos jogadores, quer do treinador), facilmente crucificariam essa mesma equipa e o seu treinador caso a bola não tivesse entrado…

A verdade é que o jogo foi equilibrado, e que um pequeno lance, um pequeno momento poderiam fazer a diferença. Foi isso que aconteceu, felizmente a beneficiar os encarnados! De todo o modo, a equipa continua a ter um longo caminho a percorrer e não podemos (especialmente os benfiquistas) perder essa noção.

Creio estarem criadas as condições para que a construção da equipa continue a bom ritmo, de preferência com a disponibilidade de alguns elementos importantes que se têm pautado pela irregularidade devido a lesões ou castigos (Luisão, David Luiz, Suazo, etc.), com o objectivo de chegar a meio da época bem posicionada para atacar o final da mesma, com uma equipa bem “oleada”, confiante, pujante, que impunha temor aos adversários (apanágio do FCP nos últimos anos) e que jogue um futebol simples, bonito e eficaz!

Para que tudo isto aconteça, seria também muito importante uma vitória frente ao Nápoles na próxima 5ª feira… (nem que seja por 1-0, aos 97 minutos, com um golo “estranho” numa bola de ressalto, de preferência legal!) com a correspondente passagem à fase seguinte da taça UEFA!

Saudações cativas e “construtivas”.